{"id":39777,"date":"2025-07-08T15:09:22","date_gmt":"2025-07-08T15:09:22","guid":{"rendered":"https:\/\/ange.org.br\/?p=39777"},"modified":"2025-07-23T18:52:23","modified_gmt":"2025-07-23T18:52:23","slug":"economia-feminista-no-brasil","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ange.org.br\/ange\/2025\/07\/08\/economia-feminista-no-brasil\/","title":{"rendered":"Economia Feminista no Brasil"},"content":{"rendered":"\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Organizadoras<\/strong>:<\/p>\n\n\n\n<p>MARILANE OLIVEIRA TEIXEIRA<br \/>MARGARITA OLIVERA<br \/>CLARICE MENEZES VIEIRA<\/p>\n\n\n\n<p><strong>APRESENTA\u00c7\u00c3O<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A ci\u00eancia econ\u00f4mica, especialmente a partir da consolida\u00e7\u00e3o das vis\u00f5es neocl\u00e1ssicas como paradigma dominante, adotou um m\u00e9todo anal\u00edtico cada vez mais abstrato. Nesse esfor\u00e7o de abstra\u00e7\u00e3o, personificado no homo economicus, racional e individualista, cuja principal motiva\u00e7\u00e3o \u00e9 a busca constante de lucros, h\u00e1 pouco espa\u00e7o para compreender as diversas formas de opress\u00e3o e explora\u00e7\u00e3o vivenciadas por outras corporalidades (PUJOL, 1992). <strong>Corpos feminizados e racializados raramente s\u00e3o objeto de estudo na economia, e a realidade que os modelos econ\u00f4micos analisam est\u00e1 completamente distante de nossas viv\u00eancias.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Essas quest\u00f5es foram levantadas por mulheres economistas, cientistas sociais e militantes feministas por bastante tempo<\/strong>. No entanto, \u00e9 somente nos anos 1990 que a economia feminista emerge como uma corrente te\u00f3rica dentro da ci\u00eancia econ\u00f4mica, sobretudo nos pa\u00edses do Norte Global, a partir da cria\u00e7\u00e3o da International Association for Feminist Economics (IAFFE), em 1992, com o intuito de construir uma abordagem cr\u00edtica dentro da disciplina econ\u00f4mica que examina as desigualdades de g\u00eanero, questiona as estruturas patriarcais e busca compreender como as quest\u00f5es de g\u00eanero afetam e s\u00e3o afetadas pela economia. Em contraposi\u00e7\u00e3o \u00e0s teorias econ\u00f4micas tradicionais, a economia feminista destaca a import\u00e2ncia de analisar e compreender o papel das mulheres na economia, assim como as din\u00e2micas de poder que perpetuam as desigualdades de g\u00eanero (CARRASCO, 2006).<\/p>\n\n\n\n<p>No Sul Global, embora o processo tenha sido mais lento, houve um grande impulso nos \u00faltimos anos, estimulado pelo crescimento da \u201cMar\u00e9 verde\u201d na Am\u00e9rica Latina e pela avan\u00e7ada na conquista de direitos das mulheres e dissid\u00eancias. <strong>As opress\u00f5es de g\u00eanero e ra\u00e7a foram novamente colocadas em pauta. Em particular, no Brasil, n\u00f3s, as economistas mulheres, temos batalhado para abrir espa\u00e7os dentro do mundo pol\u00edtico e no meio acad\u00eamico, onde nossa presen\u00e7a sempre foi menor que a de nossos colegas homens<\/strong>. Apenas cerca de um quarto das alunas de gradua\u00e7\u00e3o e p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o, assim como das professoras, s\u00e3o mulheres, conforme aponta o Relat\u00f3rio da BWE de 2021. Al\u00e9m disso, a maioria dos textos acad\u00eamicos publicados em revistas de economia n\u00e3o aborda quest\u00f5es de g\u00eanero, muito menos incorpora perspectivas da economia feminista, como indicam Bohn e Catela (2017). Ningu\u00e9m se surpreenderia diante da afirma\u00e7\u00e3o de que a ci\u00eancia econ\u00f4mica \u00e9 profundamente masculina, branca e eurocentrada.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-media-text is-stacked-on-mobile\" style=\"grid-template-columns:40% auto\"><figure class=\"wp-block-media-text__media\"><a href=\"https:\/\/ange.org.br\/ange\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/Economia-Feminista-no-Brasil-Contribuilcoes-para-Pensar-uma-Nova-Sociedade-Autoras-Dive.pdf\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" width=\"721\" height=\"1037\" src=\"https:\/\/ange.org.br\/ange\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/image.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-39778 size-full\" srcset=\"https:\/\/ange.org.br\/ange\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/image.png 721w, https:\/\/ange.org.br\/ange\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/image-209x300.png 209w, https:\/\/ange.org.br\/ange\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/image-712x1024.png 712w\" sizes=\"(max-width: 721px) 100vw, 721px\" \/><\/a><\/figure><div class=\"wp-block-media-text__content\">\n<p><\/p>\n\n\n\n<p>No entanto, no Brasil, n\u00f3s, as economistas feministas temos realizado avan\u00e7os significativos para abordar as desigualdades de g\u00eanero e promover perspectivas inclusivas no campo econ\u00f4mico. Desde tempos imemoriais, temos cultivado a habilidade de nos organizar em redes, seja para o cuidado m\u00fatuo, a sobreviv\u00eancia coletiva, o compartilhamento de recursos, a produ\u00e7\u00e3o colaborativa, ou para o fortalecimento e multiplica\u00e7\u00e3o de nossas for\u00e7as. Nesse contexto, em 2020 emerge a Rede Brasileira de Economia Feminista (REBEF), constituindo-se como um espa\u00e7o que congrega cientistas sociais de diversas regi\u00f5es e universidades do Brasil. Este coletivo compartilha a vis\u00e3o da economia feminista e reconhece, de maneira inabal\u00e1vel, que a uni\u00e3o de for\u00e7as amplifica nossa capacidade de impacto e transforma\u00e7\u00e3o. Apesar dos desafios de um ambiente que muitas vezes parece desalentador, temos alcan\u00e7ado progressos not\u00e1veis nos \u00faltimos anos, aumentando a visibilidade e a participa\u00e7\u00e3o das mulheres nas \u00e1reas de economia e ci\u00eancias sociais e promovendo cada vez mais pesquisas que discutem a situa\u00e7\u00e3o das mulheres no Brasil. De fato, um dos nossos objetivos tem sido incorporar perspectivas de g\u00eanero na an\u00e1lise econ\u00f4mica e na pesquisa acad\u00eamica. Isso implica abordar quest\u00f5es como a disparidade salarial entre os g\u00eaneros, a economia dos cuidados, a participa\u00e7\u00e3o das mulheres na for\u00e7a de trabalho, a n\u00e3o neutralidade das pol\u00edticas p\u00fablicas, as rela\u00e7\u00f5es entre g\u00eanero e macroeconomia, g\u00eanero e desenvolvimento, mudan\u00e7as clim\u00e1ticas e g\u00eanero e outros temas relacionados \u00e0 igualdade de g\u00eanero e a necessidade de colocar a vida no centro.<\/p>\n<\/div><\/div>\n\n\n\n<p>Embora ainda existam grandes desafios, h\u00e1 uma iniciativa importante para aumentar a presen\u00e7a da economia feminista nas publica\u00e7\u00f5es acad\u00eamicas brasileiras, e esse livro \u00e9 uma demonstra\u00e7\u00e3o disso. N\u00f3s, as economistas feministas no Brasil tamb\u00e9m temos trabalhado para aumentar a conscientiza\u00e7\u00e3o p\u00fablica sobre quest\u00f5es de g\u00eanero na economia. Organizando disciplinas de economia feminista e de g\u00eanero, criando projetos de extens\u00e3o, construindo n\u00facleos de pesquisa nas v\u00e1rias universidades do pa\u00eds, participando de discuss\u00f5es p\u00fablicas, confer\u00eancias e eventos para sensibilizar sobre a import\u00e2ncia de abordar as desigualdades de g\u00eanero no cen\u00e1rio econ\u00f4mico.<\/p>\n\n\n\n<p>Apesar dos desafios persistentes, como participantes da REBEF desempenhamos um papel crucial na promo\u00e7\u00e3o de uma economia mais equitativa e inclusiva. Nosso trabalho contribui para o avan\u00e7o da compreens\u00e3o das din\u00e2micas econ\u00f4micas sob uma perspectiva de g\u00eanero e estimula mudan\u00e7as positivas nas pol\u00edticas e pr\u00e1ticas econ\u00f4micas. Este texto acad\u00eamico reflete o compromisso cont\u00ednuo dessas profissionais em enfrentar e superar as barreiras que limitam a participa\u00e7\u00e3o e o impacto das mulheres no campo da economia no contexto brasileiro e esperamos que possa ser uma inspira\u00e7\u00e3o para as futuras gera\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-essential-blocks-button  root-eb-button-f25x8\"><div class=\"eb-parent-wrapper eb-parent-eb-button-f25x8 \"><div class=\"eb-button-wrapper eb-button-alignment eb-button-f25x8\"><div class=\"eb-button\"><div class=\"eb-button-inner-wrapper \"><a class=\"eb-button-anchor \" href=\"https:\/\/ange.org.br\/ange\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/Economia-Feminista-no-Brasil-Contribuilcoes-para-Pensar-uma-Nova-Sociedade-Autoras-Dive.pdf\" rel=\"noopener\"><i icon=\"fas fa-chevron-right\" class=\"fas fa-chevron-right eb-button-icon eb-button-icon-left hvr-icon\"><\/i><strong>Fa\u00e7a download aqui<\/strong><\/a><\/div><\/div><\/div><\/div><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O livro \u00e9 um retrato da diversidade de pesquisas e an\u00e1lises acumuladas por interm\u00e9dio da Rede Brasileira de Economia Feminista (REBEF). Ele serve para consolidar as conquistas e, ao mesmo tempo, amplia o instrumental te\u00f3rico e pr\u00e1tico nas lutas cotidianas que buscam a transforma\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica e social.<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":39781,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"elementor_theme","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"footnotes":""},"categories":[44,48],"tags":[52,55,56,58],"class_list":["post-39777","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-economia-feminista","category-livros","tag-destaque","tag-feminismo","tag-livro","tag-unicamp"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/ange.org.br\/ange\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/39777","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/ange.org.br\/ange\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/ange.org.br\/ange\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ange.org.br\/ange\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ange.org.br\/ange\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=39777"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/ange.org.br\/ange\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/39777\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":39956,"href":"https:\/\/ange.org.br\/ange\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/39777\/revisions\/39956"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ange.org.br\/ange\/wp-json\/wp\/v2\/media\/39781"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/ange.org.br\/ange\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=39777"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/ange.org.br\/ange\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=39777"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/ange.org.br\/ange\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=39777"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}