A rede que fortalece a economia feminista no Brasil

A Rede Brasileira de Economia Feminista (REBEF) se estabelece como uma plataforma acadêmica de excelência, concebida para atuar como o polo catalisador do pensamento crítico e da produção científica no campo da Economia Feminista em território nacional. 

Conectando Mentes, Promovendo Pesquisas e Transformando o Pensamento Econômico.

Congregando pesquisadoras, docentes, discentes e profissionais de diversas instituições, esta Rede se propõe a ser um espaço de articulação intelectual, colaboração metodológica e difusão de conhecimento.

Ademais, a constituição desta Rede origina-se do reconhecimento das lacunas e vieses androcêntricos presentes na teoria econômica convencional. Assim, a REBEF emerge como um campo rigoroso e indispensável que desafia axiomas tradicionais ao incorporar ao escopo da análise econômica temas historicamente marginalizados. 

Entre eles, destacam-se a economia do cuidado (care economy), a mensuração e valoração do trabalho não remunerado, as dinâmicas de poder e as desigualdades intrafamiliares, bem como o impacto diferenciado de políticas macroeconômicas sobre homens e mulheres.

Nosso propósito, portanto, transcende a mera adição de uma “variável de gênero” aos modelos existentes. Buscamos uma reestruturação fundamental da ciência econômica, que a torne mais aderente à realidade social e mais apta a propor soluções para a promoção do bem-estar social em sua plenitude.

OBJETIVOS INSTITUCIONAIS: 

As finalidades que norteiam as atividades desta Rede são:

1. Articulação da Comunidade Acadêmica: 

Promover a integração entre pesquisadoras de todo o país, fomentando um ambiente de diálogo interdisciplinar, colaboração em pesquisas e fortalecimento de laços institucionais.

2. Difusão da Produção Científica: 

Atuar como um repositório centralizado e de referência para a produção acadêmica na área, assegurando sua ampla acessibilidade, visibilidade e impacto junto à comunidade científica e à sociedade.

3. Fomento ao Ensino e à Formação: 

Incentivar a excelência no ensino de Economia Feminista, disponibilizando recursos pedagógicos, como programas de disciplinas, e apoiando a formação qualificada de discentes de graduação e pós-graduação.

Outrossim, a operacionalização desta Rede é viabilizada pelo crucial respaldo institucional da Associação Nacional de Centros de Pós-Graduação em Economia (ANGE). 

Esta chancela não apenas confere a legitimidade necessária para nossas atividades, mas também insere a Economia Feminista em um diálogo profícuo e permanente com os mais importantes centros de formação e pesquisa econômica do Brasil, potencializando o alcance e a relevância de nossas contribuições.

Com isso, convidamos pesquisadores, docentes, discentes de pós-graduação, formuladores de políticas públicas e membros da sociedade civil a engajarem-se com o material aqui disponibilizado, a utilizarem nossos recursos e a contribuírem para o contínuo avanço deste debate fundamental.

A OBRA ECONOMIA FEMINISTA NO BRASIL: CONTRIBUIÇÕES PARA PENSAR UMA NOVA SOCIEDADE. 

Ademais, importante salientar que a rede já conta com produções acadêmicas diversas, formuladas por suas pesquisadoras. Conjuntamente, se destaca o livro “Economia Feminista no Brasil: Contribuições para pensar uma nova sociedade”, com organização de Marilane Oliveira Teixeira, Margarita Olivera e Clarice Menezes Vieira. 

Tal obra se apresenta como um marco fundamental e necessário para os estudos econômicos no país. Fruto do trabalho coletivo de pesquisadoras da REBEF, o livro cumpre o duplo papel de ser um robusto trabalho acadêmico e um manifesto político, posto que a obra se posiciona como uma ferramenta para romper barreiras em uma disciplina que, apesar de sua tradição em teorias críticas, permanece “assustadoramente fechada à economia feminista”. 

Como resultado, estudantes raramente são apresentados a essa abordagem e pesquisadoras acabam por ser autodidatas. A presente obra é, portanto, um convite e uma provocação para quem deseja conhecer uma perspectiva econômica mais libertadora e inclusiva.

Assim, como ponto de partida da coletânea é a crítica ao paradigma neoclássico dominante e sua figura central, o homo economicus — um ser abstrato, racional e individualista, focado na busca de lucros. Essa abstração, argumentam as autoras, invisibiliza as diversas formas de opressão e as vivências de “corpos feminizados e racializados”, que raramente são objeto de estudo na economia tradicional.

  • Disparidade Salarial: Mulheres recebem salários menores que homens em funções idênticas, mesmo com formação similar; 
  • Segregação Ocupacional: Mulheres são concentradas em ocupações “femininas”, de menor prestígio e remuneração (o “piso pegajoso”), e enfrentam barreiras invisíveis para ascender a cargos de liderança (o “teto de vidro”); 
  • Sobrecarga de Trabalho Não Remunerado: Mulheres dedicam quase o dobro do tempo dos homens em trabalhos domésticos e de cuidados, resultando em “pobreza do tempo” e dupla jornada de trabalho; 
  • Vulnerabilidade Econômica: Estão mais suscetíveis ao desemprego, subemprego, desalento e à precarização, sendo as mais prejudicadas em períodos de crise econômica; 
  • Impacto de Políticas Neoliberais: Políticas de austeridade, cortes fiscais e privatizações afetam as mulheres de forma desproporcional, que perdem empregos e absorvem o trabalho de cuidado antes ofertado pelo Estado; e 
  • Injustiça Fiscal e de Consumo: São mais afetadas pela regressividade do sistema tributário brasileiro, que incide mais sobre o consumo, e pagam a chamada “pink tax”, um sobrepreço em produtos e serviços voltados ao público feminino.

O livro está organizado em dois blocos que articulam fundamentos teóricos e análises de temas contemporâneos, oferecendo um panorama completo da disciplina no Brasil. 

Bloco I – Aportes Teóricos e Históricos: Esta seção lança as bases conceituais da economia feminista. Os capítulos discutem o conceito de reprodução social como pilar para entender a dinâmica capitalista ; analisam o capitalismo como um sistema patriarcal e extrativista a partir de uma perspectiva decolonial ; abordam o apagamento das mulheres nos dados e estatísticas oficiais ; e resgatam a trajetória do pensamento feminista na economia brasileira nos anos 1970 e 1980. 

Bloco II – Temas Atuais: A segunda parte se aprofunda em questões da realidade brasileira recente. São analisadas a “crise dos cuidados” diante do envelhecimento populacional ; a medição do trabalho doméstico e de cuidados no Brasil e no México ; os efeitos de recessões e da pandemia de Covid-19 sobre a condição de atividade e o mercado de trabalho feminino ; a incidência da pink tax no Brasil ; e o retrocesso nas políticas de promoção da igualdade de gênero no país entre 2011 e 2021, especialmente sob os governos Temer e Bolsonaro. 

Relevância e Público-Alvo “Economia Feminista no Brasil” é uma obra essencial para estudantes, pesquisadores e professores de Economia, Ciências Sociais e Estudos de Gênero. É também uma leitura fundamental para formuladores de políticas públicas e para todos que buscam compreender as raízes das desigualdades e vislumbrar caminhos para uma sociedade mais justa. 

Ao sintetizar o conhecimento das principais especialistas da área no país , a coletânea não apenas preenche uma lacuna na literatura econômica brasileira, mas também fortalece um campo de estudo que, por sua natureza crítica, é indispensável para “consolidar as conquistas e, ao mesmo tempo, ampliar o instrumental teórico e prático nas lutas cotidianas que buscam a transformação econômica e social”. 

Trata-se de um trabalho que afirma a vitalidade e a urgência da economia feminista no cenário nacional.